Eu não via a hora disso acontecer. Estava contando os dias, andando a alameda Gabriel Monteiro da Silva de cima a baixo, onde sabia que seria instalada a unidade de São Paulo do Kurotel. Mas não é olhando que alguém vai saber que o premiado spa médico de Gramado (RS) chegou à capital paulista.
Na esquina da alameda com a rua Mariana Correia, no Jardim América, fica um edifício baixo e modernoso, porém não muito convidativo e sem nenhuma placa indicando que ali fica um pedaço do paraíso. O Kurotel aposta na clientela que já conhece o spa na serra gaúcha e quer continuar com os tratamentos que experimentou por lá.
Mas quem, como eu, vencer pela insistência, vai conseguir chegar até o número 1.825 da Gabriel. Aí basta superar a estranheza de deparar-se com um showroom da marca de metais para banheiros Docol.
É preciso continuar acreditando, porque não há nenhuma indicação da unidade paulista do Kurotel. Mas passando por inúmeras opções de banheiras, pias, chuveiros ultrassofisticados, lá, no fundo da loja, está o Kurotel. Meio apertadinho, meio parecendo improvisado, mas não se deixe levar pela primeira impressão.
Com funcionárias muito bem treinadas que capricham na simpatia, o cliente logo percebe o que as duas marcas têm em comum: o uso consciente da água. E o que pode ser mais importante do que isso?
Bem, em um spa, se sentir bem é o xis da questão. E o meu “day spa” não deixou nada a desejar. Fiz o Circuito Wellness, que começou com 30 minutos de um banho de imersão quentinho, em uma banheira com microbolhas de oxigênio que fazem uma coceguinha muito leve na pele. O tratamento promete limpeza intensa e relaxamento.
Depois, o plano era que eu fizesse uma crioimersão em um tanque de água gelada. Deveria manter os pés, as canelas, as panturrilhas, até o joelho, por quatro minutos. O objetivo: estimular a circulação, a recuperação muscular e dar uma sensação de estar mais alerta e disposta. Aguentei um minuto, sofrendo.
Um dia a ciência ainda há de me libertar da água gelada, esse bálsamo que tanto cura as inflamações quanto me faz pensar em minha avó Alcina, que não pegava friagem nem se pagassem um cachê. E, honestamente, entre a ciência e minha avó Alcina, que Deus a tenha, eu vou sempre optar pela sabedoria da segunda.
O fracasso da crioterapia não afetaria meus resultados, me garantiu a moça que me acompanhava. Um minuto já ajuda muito o organismo a se recuperar. E, depois, eu seria agraciada com mais um calorzinho delícia, em uma sauna infravermelha que também promete melhorar a circulação, além de relaxamento muscular, alívio de dores e melhora na pele.
Nesta sauna, você fica sentado em uma cadeirinha de encosto alto. A estrutura lembra aqueles brinquedos de parque de diversão moderno, que despencam vários andares num elevador. Aqui, no entanto, o encosto alto existe para que suas costas fiquem inteiras apoiadas no feixe de luz infravermelha que fica bem no meio das duas almofadas, portanto na direção da coluna vertebral.
A esta altura, o choque térmico já era uma memória distante. Comecei a sentir o efeito de entrar na segunda hora de uma tarde de sorte. A promessa era nada menos do que tirar tudo que incomoda no dia a dia – estresse, barulho de obra, sono de menos, trabalho de mais, filhos, pais, gatos, cachorros, cobranças de todos os lados – e substituir por bem-estar.
Para coroar uma das melhores tardes de trabalho da vida, uma boa e velha massagem relaxante, que, a essa altura, eu já não tinha mais condições de julgar objetivamente. A sequência de tratamentos parece pensada para tirar até pensamentos ruins e recorrentes da cabeça, e, ao entrar na sala de massagem, com um roupão ultramacio, eu já me sentia mais leve, mais otimista, mais de bem com a vida.
Uma hora e 15 minutos depois, com a opção de tomar um banho com os produtos do spa, oferecidos em tamanho miniatura como presente para os clientes, eu já não estava mais nesta mesma estratosfera e não sei nem dizer se tomei ou não o banho, só sei que terminei a tarde feliz. E que cheguei em casa cheia de presentes para a família, como um espumante sem álcool e um creme para o corpo que não lembro de ter escolhido, mas que usei e foi ótimo.
Faria tudo de novo. Várias vezes. Só não aconteceu ainda porque a conjunção de uma tarde livre e R$ 2.300 para gastar são itens de alto luxo –e muito raros, pelo menos na minha vida.
Kur Wellness São Paulo
Serviço: Circuito Wellness (inclui banheira de microbolhas, banheira gelada, sauna infravermelha, massagem e ducha de espuma), dura cerca de 2h e custa R$ 2.300
Onde: alameda Gabriel Monteiro da Silva, 1.825, Jardim América, zona oeste de São Paulo, kurotel.com.br/kur-wellness-sp
A jornalista fez o tratamento a convite do Kur Wellness São Paulo

